quinta-feira, 10 de setembro de 2009

REALIZAÇÃO DO III MÓDULO POLO DE COLIDER

REALIZAÇÃO DO III MÓDULO - POLO DE COLIDER
Nos dias 05 e 06 de setembro de 2009, realizou-se no Pólo de Colíder, o III Prato Agricultura Familiar – SAF'S do Cardápio pelo Projeto Coletivos Educadores para o Território Portal da Amazônia – Uma nova abordagem na Educação Ambiental com os Educadores Luiz Alberto de Oliveira Silva e Irene Miranda Soares, contamos a participação dos PAP3 dos seis municípios do Pólo, Colíder, Nova Santa Helena, Itaúba, Marcelândia, Nova Guarita e Terra Nova do Norte, Prato levantou uma grande discussão sobre a Agricultura Familiar, no período matutino aconteceu a aula teórica, no período vespertino realizamos uma aula de campo visitando uma propriedade rural onde foi implantado um Projeto de Agricultura Familiar no domingo foi realizado um debate sobre a visita realizada no dia 05/09.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Como enfrentar a crise da agricultura

Como enfrentar a crise da agricultura:

Lamentando os problemas insolúveis ou resolvendo os problemas solucionáveis?

Polan Lacki

Na economia as soluções rendem mais do que os problemas; na política, os problemas valem muito mais que as soluções - Nikolai Bukharin (1888-1938) - economista e político soviético.
De acordo com esta reflexão de Bukharin, na agricultura latinoamericana aparentemente deveríamos dedicar-nos muito mais à economia que à política. Deveríamos descartar imediatamente aquelas pseudo-soluções utópicas que apenas contribuem a confundir os agricultores e a perpetuar os problemas do setor agropecuário. Porque a angustiada classe rural está necessitando soluções de verdade e que sejam mais perduráveis no tempo; isto é, medidas que, graças a sua viabilidade e realismo, possam efetivamente ser concretizadas, por mais adversas que sejam as condições atuais dos produtores rurais e de seus respectivos governos. Nas atuais circunstâncias, já não tem muito sentido continuar afirmando aos agricultores que seus problemas deverão ser resolvidos pelos governos, através de créditos abundantes e baratos, da aquisição, refinanciamento e perdão das suas dívidas, da concessão de subsídios internos, do aumento do valor do dólar, da redução dos impostos e dos pedágios e da proteção contra a importação de produtos agrícolas; e continuar afirmando-lhes que nossos governos deveriam exigir a eliminação das barreiras externas e dos subsídios com os quais os países ricos protegem seus agricultores.

Por mais desejadas e atraentes que sejam, a curto e médio prazos, estas propostas não serão adotadas; entre outros motivos, porque os endividados e debilitados governos dos países latino-americanos, mesmo que quisessem não reuniriam as condições econômicas nem políticas, para adotá-las. No âmbito interno, por insuficiência de recursos para perpetuar no tempo estes mecanismos "perenizadores" de dependências; e, no âmbito externo, porque não possuem a força política para impedir que os países desenvolvidos continuem subsidiando e protegendo seus agricultores. A adoção das referidas medidas é tão improvável que não vale a pena perder tempo com utopias que geralmente se inspiram na ingenuidade ou, o que é muito mais grave, em repudiáveis propósitos demagógico-eleitorais. Além disso, não é esta a principal causa da crise do setor agropecuário e sim as distorções descritas a seguir, as quais, com humildade, deveremos reconhecer e, com competência deveremos eliminar.




As ineficiências do negócio agrícola: compensar suas conseqüências ou eliminar suas causas?

Na América Latina, o caminho cômodo e simplista de querer aliviar as conseqüências de una agricultura ineficiente, através de artificialismos compensatórios, está esgotado. Ante esta situação, só nos resta a alternativa realista de eliminar as causas mais profundas da falta de rentabilidade e de competitividade e, através desta medida, prescindir dos subsídios que, de antemão, sabemos que não serão outorgados por nossos governos. Entre estas causas elimináveis pelos próprios agricultores, com a única condição de que estejam capacitados e organizados, estão as seguintes distorções e ineficiências que ocorrem na grande maioria das propriedades e comunidades rurais:

1ª ineficiência - Baixíssimos rendimentos por hectare e por animal, causados muito mais pela falta de conhecimentos adequados que de políticas agrícolas generosas. Na América Latina, os rendimentos médios em quilos por hectare são os seguintes: arroz: 3189; feijão: 712; milho: 3288; batata inglesa: 13561; soja: 2472; trigo: 2090. Na pecuária bovina, menos de 4 litros de leite/vaca/dia; primeiro parto aos 42 meses, podendo ocorrer antes dos 28 meses de vida; intervalo entre parições de 22 meses, o qual poderia ser de 13 meses; desfrute de 19%; produção de 60 kgs de carne por hectare/ano.

Estes baixíssimos rendimentos são o claro reflexo de erros, muitas vezes primários, que ocorrem no processo produtivo. Para corrigi-los, geralmente se necessita apenas adotar, de forma correta e gradativa, tecnologias simples que requerem muito mais de conhecimentos adequados que de créditos abundantes; porque sua correção depende muito mais de "como fazer" do que "com que fazer". No caso do feijão, ao dividir os 712.000 gramas pelas 225.000 plantas que deveria ter um hectare, conclue-se que cada feijoeiro produz aproximadamente 3 gramas que correspondem a uma vagem com 8 a 12 grãos. Isto, geralmente, é conseqüência de que a maioria dos plantadores de feijão utiliza sementes geneticamente erodidas e contaminadas com patógenos, não regula a semeadora, não semeia na época adequada e com espaçamento e profundidade corretos, não elimina as ervas daninhas no momento oportuno, não faz rotação de culturas e sofre consideráveis perdas antes e durante a colheita. Neste caso, com exceção das sementes, todas as demais correções dependem apenas de que os produtores sejam conscientizados e capacitados; em outras palavras, as correções dependem muito mais de insumos intelectuais que de insumos materiais. Neste cultivo não se pode atribuir a culpa aos subsídios outorgados pelos países europeus porque eles não exportam feijão subsidiado; tampouco no caso do café, do cacau, da mandioca e de outros produtos que não são favorecidos pelas tesourarias dos países ricos, e no entanto, neles também temos problemas de falta de rentabilidade.

Se não podemos aumentar os preços deveremos diminuir os custos de produção e de transação

Não estamos ignorando que vários países desenvolvidos, com os quais temos que competir, subsidiam seus produtores, porém não podemos ignorar que uma outra causa importantíssima de nossa falta de competitividade é que as vacas daqueles países desenvolvidos produzem em média nacional, mais de 20 litros de leite por dia, que cada hectare das suas terras produz quase 8.000 kgs de trigo, 10.000 kgs de milho e até 49.000 kgs de batata inglesa. Enquanto os nossos governos não puderem outorgar subsídios nem impedir que os países ricos continuem fazendo-o, só nos resta o caminho realista de corrigir nossas próprias ineficiências; se o fizermos, nos tornaremos menos dependentes dos inexistentes subsídios internos e menos vulneráveis aos excessivos subsídios externos. É com este espírito de objetividade e de pragmatismo que os agricultores eficientes e bem sucedidos estão sobrevivendo dentro desta nova globalização e até obtendo proveito das vantagens que ela oferece. Eles estão "acedendo a lâmpada ao invés de continuar criticando a escuridão".

2ª ineficiência. Os procedimentos distorcidos que os agricultores adotam na aquisição dos insumos e na venda das suas colheitas. Em ambas etapas, os produtores rurais fazem exatamente o contrário do que lhes seria conveniente fazer; porque compram os insumos no varejo, com alto valor agregado e do último elo de intermediação; porém, quando vendem os seus excedentes, ocorre un giro de 180 graus e o fazem no atacado, sem valor agregado e ao primeiro elo da cadeia de intermediação. Ambas distorções são elimináveis através da capacitação e da organização dos agricultores com propósitos empresariais e, não necessariamente, através de nostálgicos e ineficientes intervencionismos do Estado na comercialização.

A propriedade diversificada pode ser a "agência de desenvolvimento" da família rural

3ª ineficiência. A falta de diversificação produtiva que, além de tornar os agricultores excessivamente dependentes do crédito rural, os expõe a desnecessários riscos e vulnerabilidades de clima, pragas e mercados. Para diversificar a produção agropecuária se requer muito mais de capacitação que de complexos mecanismos de intervenção estatal, cujas frondosas burocracias acabam consumindo os escassos recursos destinados à operação de tais mecanismos. Se os governos não estão em condições de oferecer crédito rural, seguro agrícola e insumos a todos os produtores, a eficiente diversificação e verticalização da atividade agropecuária deveria ser o "seguro agrícola" do produtor, sua "agencia de crédito", sua "fábrica de alguns insumos", seu "supermercado", sua "agroindústria", a "agência de empregos" para todos os membros da família durante os 365 dias do ano. A diversificação e a gradualidade tecnológica, horizontal ou vertical, são medidas endógenas que liberam as famílias rurais da dependência de várias soluções exógenas e geralmente inacessíveis; muito especialmente do crédito que é cada vez mais caro e escasso.

4ª ineficiência. A ocorrência de superdimensionamentos e ociosidades de investimentos que, nas atuais circunstâncias de alto endividamento e baixa rentabilidade, economicamente não se justifica realizá-los de forma individual ou mantê-los sub-utilizados.Nas propriedades rurais é muito freqüente encontrar tratores e implementos que trabalham poucas horas ao ano, terras ociosas ou com baixíssima produtividade, elevados investimentos em irrigação que não se traduzem em altos rendimentos em virtude de graves erros tecnológicos na condução dos cultivos e nas tecnologias de irrigação, juntas de bois que comem o ano inteiro porém passam mais dias descansando que trabalhando, animais de elevado potencial genético cujos baixos rendimentos são provocados principalmente por falta de alimentos que poderiam ser produzidos nas propriedades, inadequada relação reprodutores/matrizes, etc. Por exemplo, se em uma comunidade existem 10 produtores com 5 vacas leiteiras cada um, economicamente não se justifica a existência de 10 reprodutores, 10 estábulos, 10 máquinas de ordenhar, 10 picadoras de forragem, 10 enfardadeiras de feno, 10 esfriadores de leite; os baixos preços do leite dificilmente poderão remunerar estes altos investimentos quando eles são feitos de forma individual. O associativismo para obter economia de escala, reduzir custos, incorporar valor às colheitas, comprar e vender com menor intermediação é o caminho mais realista quando os governos não estão em condições de outorgar subsídios. Se nos últimos tempos, até os gigantes dos bancos, dos meios de comunicação, da indústria químico-farmacêutica e agro-química estão promovendo fusões e formando enormes conglomerados, como estratégia para poder sobreviver no mercado, com maior razão deverão fazê-lo os minúsculos e frágeis produtores rurais.

5ª ineficiência. Os agricultores pobres costumam cultivar espécies que coincidentemente são adquiridas pelos consumidores pobres das cidades (mandioca, batata inglesa, milho, feijão, abóbora, arroz, batata doce, etc.). Se além de produzir espécies pouco rentáveis, são afetados pelas distorções descritas nos 4 itens anteriores, se fazem excessivas aplicações de agroquímicos e sofrem desnecessárias perdas pós-colheita, é evidente que não podem viabilizar-se economicamente. Promover uma substituição progressiva a espécies de maior densidade econômica depende muito mais de conhecimentos técnico-gerenciais que de sofisticadas formulações de políticas agrícolas.

Diagnósticos equivocados e terapêuticas demagógicas estão paralisando o setor agropecuário
Depois de efetuar esta crua descrição das distorções que, com reconhecidas exceções, infelizmente estão generalizadas na América Latina, impoem-se algumas perguntas:
- serão os agricultores os culpados de tão graves ineficiências? ou será nosso disfuncional sistema educativo que não desenvolveu neles a autoconfiança, a criatividade e a capacidade de corrigir suas ineficiências e de solucionar os seus próprios problemas.
- será que é a falta de políticas (creditícias, cambiais, tributárias, tarifárias, etc), descritas no primeiro parágrafo deste artigo, a principal culpada de que não consigamos superar este arcaísmo tecnológico, gerencial e organizacional? ou será que faltam às famílias rurais uma adequada formação valórica e conhecimentos mais funcionais e instrumentais, que eles possam aplicar e utilizar na formulação de soluções mais autônomas e conseqüentemente tornarem-se menos dependentes das referidas políticas?
- será que deveremos continuar priorizando infrutíferas reivindicações dirigidas ao congresso nacional, ao ministério de economia/fazenda, ao banco central/rural/agrícola para pedir paliativos inacessíveis, ineficazes e perpetuadores de dependências? Ou será que deveremos buscar soluções emancipadoras nas escolas fundamentais rurais (do 1° ao 8° ano), nas escolas agrotécnicas e nas faculdades de ciências agrárias; apoiá-las como corresponde, porém exigir delas, uma educação muito mais pragmática, objetiva, funcional, realista e prática de modo que dessas instituições educativas egressem agricultores e extensionistas com real capacidade de corrigir as ineficiências do negócio agrícola?

- será que todos os governos dos países da América Latina, os atuais e os das décadas anteriores, são e foram insensíveis aos problemas dos agricultores e não tiveram a vontade política para solucioná-los? ou será que, em virtude do modelo paternalista e da insuficiência de recursos, não podem e não puderam oferecer todos os ingredientes da "receita" perpetuadora de dependências a todos os agricultores sempre? Se a referida "receita" não funcionou, quando a instituições estatais tinham mais poder e mais recursos, como esperar que funcione na atualidade quando os governos estão debilitados e endividados?

- como explicar que depois de mais de 50 anos de aplicações milionárias de recursos em crédito rural, na geração e difusão de tecnologias, na formação de técnicos, na manutenção de estruturas estatais de comercialização e em obras de irrigação, não tenhamos sido capazes de incrementar estes modestos rendimentos e de superar as demais ineficiências, aqui analisadas? Com o agravante de que alguns dos importantes êxitos obtidos pelo setor agropecuário latino-americano ocorreram mais como conseqüência de produtores progressistas, do setor privado e de estímulos governamentais "de arranque", que dos clássicos e permanentes instrumentos estatais perpetuadores de dependências. Como exemplos poderíamos mencionar: a avicultura industrial, o plantio direto, os sistemas integrados entre agricultores e agroindústrias (com aves, suínos, tomate, tabaco, etc), a fruticultura e a floricultura de exportação, o aspargo no Perú, a criação de salmões no Chile, a produção de maçãs em Santa Catarina e a citricultura em São Paulo, ambas no Brasil, etc.

Definitivamente, o intervencionismo estatal perenizador de dependências, de cima para baixo, deverá ser substituído pelo protagonismo emancipador dos agricultores, de baixo para cima. No entanto, esta reversão exige a ação de um estado que, graças a excelência, pragmatismo e relevância/pertinência dos conteúdos curriculares das suas instituições educativas, tenha como principal objetivo estratégico, desenvolver as potencialidades que estão latentes nas pessoas e instituições relacionadas com o setor agropecuário. Os solucionadores potenciais dos nossos problemas agropecuários estão em cada família, propriedade e comunidade rural, em cada escola fundamental rural, escritório de extensão rural, estação experimental, prefeitura, escola agrotécnica, faculdade de ciências agrárias; falta apenas transformá-los de solucionadores potenciais a solucionadores reais. Na construção da agricultura do mundo globalizado, o sistema educativo rural -os três níveis da educação formal/escolarizada e os serviços públicos e privados de extensão rural- necessitam receber um claro e decidido apoio do estado, do setor privado e da sociedade. Em contrapartida, o referido sistema deve reconhecer a necessidade de submeter-se a uma profunda e radical transformação, a fim de que possa assumir o compromisso e a responsabilidade de formar, capacitar e organizar uma nova geração de agricultores profissionalizados, mais autoconfiantes e tecnicamente mais competentes; agricultores que sejam capazes de assumir como sua uma crescente responsabilidade na correção das suas próprias ineficiências e de protagonizar a solução dos seus problemas. Este é o único caminho possível para uma América Latina cujos governos não dispõem de recursos para fazer tudo pelos seus cidadãos sempre; entre outros motivos porque estão dedicados a combater nas cidades os efeitos do subdesenvolvimento rural, em vez de eliminar suas causas diretamente no campo e, mais especificamente, nas desfinanciadas, esquecidas e abandonadas escolas fundamentais rurais.

Observações: 1. Caso Vossa Senhoria considere que algum (ns) destes conceitos é adaptável à realidade de seu município, estado ou país, por favor não hesite em utilizar, melhorar e difundir estas propostas; Oxalá que V.Sa. considere conveniente realizar em sua própria instituição ou jurisdição alguma atividade destinada a difundir, criticar, melhorar e adaptar estas proposições a suas respectivas realidades.2. Críticas ao artigo e pedidos de documentos gratuitos que ampliam e fundamentam tecnicamente a viabilidade desta proposta serão bem-vindos aos E-Mails: Polan.Lacki@uol.com.br e Polan.Lacki@onda.com.br

Os referidos documentos também estão disponíveis na seção "Artigos" da Página web http://www.polanlacki.com.br/ e na nova Página web http://www.polanlacki.com.br/agrobr

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Encontro Coletivos Educadores Pólo Nova Monte Verde - MT

O núcleo de formação de Nova Monte Verde Convida os participantes que se inscrevam para fazer parte dos Coletivos Educadores para o próximo Encontro que será dia 20 e 21 de Junho de 2009, na Escola Roberto José Ferreira Av. Manoel Rodrigues de Souza, Bairro: Centro. Nova Monte Verde - MT, Horas das 8:00 às 12:00 e das 13:00 às 17:00 horas, com o Módulo de Elaboração de Projeto o qual será ministrado pelo Prof. Dr. Luiz Fernando Caldeira Ribeiro da UNEMAT.


Coletivos Educadores Para o Território Portal da Amazônia

1.0 AGRICULTURA FAMILIAR NO MUNICÍPIO DE NOVA MONTE VERDE

No município de Nova Monte Verde a agricultura, mas especificamente a agricultura familiar passa por todos esses entraves o que esta causando grandes transtorno no seu desenvolvimento e consequentemente a dificuldade de permanência do homem ao campo, além disso o desenvolvimento agrícola no município acontece de forma rudimentar levando mais ainda a dificuldade do cultivadas espécies cultivadas.
O desenvolvimento agrícola em Nova Monte Verde teve inicio em 1984 e a partir daí houve avanços e retrocessos, tendo seu inicio com o cultivo de café, milho, arroz e o feijão, entretanto já podemos notar a diversificação de culturas desenvolvidas para melhor subsistência das famílias,como :mandioca, horticultura, piscicultura, apicultura, dentre outras.
Os plantadores de café sofreram grandes decepções no inicio do desenvolvimento agrícola em nova monte verde, pois acreditaram nessa cultura ,criaram várias expectativas porém com a queda do preço veio a frustração fazendo com muitos agricultores desfizessem de suas plantações ,cortando-as, queimando suas lavouras ou mesmo abandonando suas terras e se deslocando para a cidade ou outras localidades .
Apesar das dificuldades diversas famílias continuam acreditando e persistem no cultivo agrícola para manterem suas famílias e para conseguirem se manterem em suas propriedades investiram na diversificação agrícola e na pecuária.


1.1 Agricultura Diversificada

A expansão da fronteira agrícola sempre esteve associada com a pequena produção de subsistência, porém, com o crescimento do processo de acumulação capitalista a extensão da fronteira até a Amazônia, o pequeno produtor rural esta encontrando cada vez mais dificuldades para sua sobrevivência, considerando que estes são uma parcela considerável da população brasileira.
Sabemos que a agricultura familiar foi e ainda é de grande importância para a economia nacional, todavia com o processo de industrialização e de novas tecnologias a agricultura de forma geral esta se tornando um objeto de cobiça nesse processo do desenvolvimento capitalista, onde se visa o lucro a qualquer preço.
Nesse contexto apesar de tantos embates a figura marcante do agricultor familiar tenta se equilibrar, oque não é fácil, mas sabemos que este e tem grande importância econômica e social. A agricultura familiar é à base de subsistência de muitas famílias em nosso país e também nosso município e para que ela possa continuar existindo nesse mercado cada vez mais competitivo e excludente é necessária a diversificação rural agrícola como sendo a alternativa de diminuir o fracasso, pois ter apenas uma atividade agrícola como fonte de renda atualmente é suicídio rural, a diversificação constitui uma das opções mais segura de desenvolvimento rural,principalmente em lugares afetados pelo insucesso de determinadas atividades agrícolas,no caso de Nova Monte Verde o cultivo do café que foi uma desilusão para muitos agricultores.
De maneira geral para que os agricultores familiares possam diversificar sua produção e desenvolver sistemas de produção sustentável, se ingressar no mercado com produtos diferenciados é necessário orientação e determinação dos órgãos institucionais e uma mudança de consciência e comportamento por parte dos técnicos e agentes responsáveis pelo desenvolvimento.
Diante da atual situação em que passam os pequenos agricultores a única alternativa é que invistam na diversificação agrícola para que possam continuar a viver dignamente.

1.2 COOPERATIVISMO E ASSOCIATIVISMO



Cooperativismo: organização de pelo menos, vinte pessoas ou mais pessoas físicas unidas pela cooperação e pela ajuda mútua, com gestão democrática e participativa. Sistema econômico que faz das cooperativas a base de todas as atividades de produção e distribuição de riquezas, tendo como objetivo difundir os ideais em que se baseia, no intuito de atingir o pleno seu desenvolvimento econômico e social.
É a união de pessoas voltadas para um objetivo comum, visando alcançar os objetivos propostos na sua constituição estatutária.
Associativismo: é uma forma de organização em permanente integração e tem como finalidade, conseguir benefícios comuns através de ações coletivas, ex: grupo de duas ou mais pessoas que se organizam para defenderem interesses comuns, sem fins lucrativos.
A expressão associativismo designa, por um lado a prática social da criação e gestão das associações e, por outro lado, a apologia ou defesa dessa prática de associação, enquanto processo não lucrativo de livre organização de pessoas (os sócios) para a obtenção de finalidades comuns.
O associativismo, é uma forma de organização social, caracteriza-se pelo seu caráter, normalmente, de voluntariado, por reunião de dois ou mais indivíduos usado como instrumento da satisfação das necessidades individuais humanas (nas suas mais diversas manifestações).

1.3 COLETIVIDADE, COOPERAÇÃO E PARCERIA

Coletividade é um sistema de relações sociais de interações recorrentes entre as pessoas, enfim é um ato de compartilhar e colaborar nas idéias.
Cooperação é uma relação de entre ajuda entre indivíduos ou entidades, no sentido de alcançar objetivos comuns.
Parceria é uma relação de mão-dupla, isto é os parceiros partilham seus recursos de modo a trocar benefícios mútuos chegando a objetivos comuns.


Textos Elaborados Pelos Coletivos Educadores do Micro Polo de Nova Monte Verde-MT

domingo, 24 de maio de 2009

Lista de site, blogs e grupos que trabalham e discutem Educação Ambiental.

Lista Elaborada pelos Coletivos Educadores, Polo de Nova Monte Verde-MT.


http://www.setorreciclagem.com.br Reciclagem, lixo, meio ambiente e cidadania.

http://www.amda.org.br/ Assosciação Mineira de Defesa do Meio Ambiente.

http://www.ambientebrasil.com.br/ Ambiente Brasil.


http://www.cenedcursos.com.br// O Centro Nacional de Educação a Distância (CENED) oferece formação na área ambiental através da modalidade de Educação a Distância. Todos os professores responsáveis pelos cursos são pós-graduados, conferindo qualidade ao tema do curso apresentado. Nossos cursos são realizados no ambiente virtual de aprendizagem denominado Atutor o qual é utilizado em Universidades do mundo inteiro.


http://www.ecoesfera.com.br/ Empreendimentos Sustentáveis.


http://www.aguadechuva.com/ Tecnologia inovadora de ETA (Estação de Tratamento de Água) a partir de Bio Filtro Lento de Areia, conjugada com Filtro de Carvão Ativado, de maneira a tornar possível o “aproveitamento de água de chuva para uso humano”, extensível às águas limpas de cursos d’água.


http://www.ecomundi.com.br/ Eco Mundi Gestão Ambiental.


http://www.planetaorganico.com.br/ Planeta Orgânico Melhora Para a vida.






sábado, 23 de maio de 2009

terça-feira, 31 de março de 2009

quinta-feira, 26 de março de 2009

Estatuto do Homem

ESTATUTO DO HOMEM

(Ato Institucional Permanente)

A Carlos Heitor Cony

Artigo I

Fica decretado que agora vale a verdade
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II

Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III

Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV

Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.

Parágrafo único:

O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.

Artigo V

Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.

Artigo VI

Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Artigo VII

Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo VIII

Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.

Artigo IX

Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.

Artigo X

Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
o uso do traje branco.

Artigo XI

Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo XII

Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.

Parágrafo único:

Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.

Artigo XIII

Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.

Artigo Final.

Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem

Thiago de Mello Santiago do Chile, abril de 1964

Um sonho de simplicidade

Um Sonho de Simplicidade
Rubem Braga

Então, de repente, no meio dessa desarrumação feroz da vida urbana, dá na gente um sonho de simplicidade. Será um sonho vão? Detenho-me um instante, entre duas providências a tomar, para me fazer essa pergunta. Por que fumar tantos cigarros? Eles não me dão prazer algum; apenas me fazem falta. São uma necessidade que inventei. Por que beber uísque, por que procurar a voz de mulher na penumbra ou os amigos no bar para dizer coisas vãs, brilhar um pouco, saber intrigas?

Uma vez, entrando numa loja para comprar uma gravata, tive de repente um ataque de pudor me surpreendendo assim, a escolher um pano colorido para amarrar ao pescoço.

A vida bem poderia ser mais simples. Precisamos de uma casa, comida, uma simples mulher, que mais? Que se possa andar limpo e não ter fome, nem sede, nem frio. Para que beber tanta coisa gelada? Antes eu tomava a água fresca da talha, e a água era boa. E quando precisava de um pouco de evasão, meu trago de cachaça.

Que restaurante ou boate me deu o prazer que tive na choupana daquele velho caboclo do Acre? A gente tinha ido pescar no rio, de noite. Puxamos a rede afundando os pés na lama, na noite escura, e isso era bom. Quando ficamos bem cansados, meio molhados, com frio, subimos a barranca, no meio do mato, e chegamos à choça de um velho seringueiro. Ele acendeu um fogo, esquentamos um pouco junto do fogo, depois me deitei numa grande rede branca — foi um carinho ao longo de todos os músculos cansados. E então ele me deu um pedaço de peixe moqueado e meia caneca de cachaça. Que prazer em comer aquele peixe, que calor bom em tomar aquela cachaça e ficar algum tempo a conversar, entre grilos e votes distantes de animais noturnos.

Seria possível deixar essa eterna inquietação das madrugadas urbanas, inaugurar de repente uma vida de acordar bem cedo? Outro dia vi uma linda mulher, e senti um entusiasmo grande, uma vontade de conhecer mais aquela bela estrangeira: conversamos muito, essa primeira conversa longa em que a gente vai jogando um baralho meio marcado, e anda devagar, como a patrulha que faz um reconhecimento. Mas por que, para que, essa eterna curiosidade, essa fome de outros corpos e outras almas?

Mas para instaurar uma vida mais simples e sabia, então seria preciso ganhar a vida de outro jeito, não assim, nesse comércio de pequenas pilhas de palavras, esse oficio absurdo e vão de dizer coisas, dizer coisas... Seria preciso fazer algo de sólido e de singelo: tirar areia do rio, cortar lenha, lavrar a terra, algo de útil e concreto, que me fatigasse o corpo. mas deixasse a alma sossegada e limpa.

Todo mundo, com certeza, tem de repente um sonho assim. E apenas um instante. O telefone toca. Um momento! Tiramos um lápis do bolso para tomar nota de um nome, um número... Para que tomar nota? Não precisamos tomar nota de nada, precisamos apenas viver — sem nome, nem número, fortes, doces, distraídos, bons, como os bois, as mangueiras e o ribeirão.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Carta do Zé agricultor para Luís da cidade

Carta do Zé agricultor para Luís da cidade
E esse é o Brasil
Luciano Pizzatto (*)

Luis,

Quanto tempo. Sou o Zé, seu colega de ginásio, que chegava sempre atrasado, pois a Kombi que pegava no ponto perto do sítio atrasava um pouco. Lembra, né, o do sapato sujo. A professora nunca entendeu que tinha de caminhar 4 km até o ponto da Kombi na ida e volta e o sapato sujava.

Lembra? Se não, sou o Zé com sono... he he. A Kombi parava às onze da noite no ponto de volta, e com a caminhada eu ia dormi lá pela uma, e o pai precisava de ajuda para ordenhá as vaca às 5h30 toda manhã. Dava um sono... Agora lembra, né Luis?!

Pois é. Tô pensando em mudá aí com você. Não que seja ruim o sítio, aqui é uma maravilha. Mato, passarinho, ar bom. Só que acho que tô estragando a vida de você Luis, e de teus amigos ai na cidade. Tô vendo todo mundo fala que nóis da agricultura estamo destruindo o meio ambiente.

Veja só. O sitio do pai, que agora é meu (não te contei, ele morreu e tive que pará de estuda) fica só a meia hora ai da Capital, e depois dos 4 km a pé, só mais 10 minutos da sede do município. Mas continuo sem Luz porque os Poste não podem passar por uma tal de APPA que criaram aqui. A água vem do poço, uma maravilha, mas um homem veio e falô que tenho que fazê uma outorga e pagá uma taxa de uso, porque a água vai acabá. Se falô deve ser verdade.

Pra ajudá com as 12 vaca de leite (o pai se foi, né...) contratei o Juca, filho do vizinho, carteira assinada, salário mínimo, morava no fundo de casa, comia com a gente, tudo de bão. Mas também veio outro homem aqui, e falô que se o Juca fosse ordenhá as 5:30 tinha que recebe mais, e não podia trabalha no sábado e domingo (mas as vaca não param de fazê leite no fim de semana...).

Também visitô a casinha dele, e disse que o beliche tava 2 cm menor do que devia, e a lâmpada (tenho gerador, não te contei!) que estava em cima do fogão era do tipo que se esquentasse podia explodi (não entendi?). A comida que nóis fazia junto tinha que fazê parte do salário dele. Bom, Luis tive que pedi pro Juca voltá pra casa, desempregado, mas protegido agora pelo tal homem. Só que acho que não deu certo, soube depois que foi preso na cidade roubando comida. Do tal homem que veio protegê ele, não sei se tava junto.

Na Capital também é assim né, Luis? Tua empregada vai pra uma casa boa toda noite, de carro, tranquila. Você não deixa ela morá nas tal favela, ou beira de rio, porque senão te multam ou o homem vai aí mandar você dar casa boa, e um montão de outras coisa. É tudo igual aí né?

Mas agora, eu e a Maria (lembra dela? pois casei com ela) fazemo a ordenha as 5:30, levamo o leite de carroça até onde era o ponto da Kombi, e a cooperativa pega todo dia, isso se não chovê. Se chovê perco o leite e dô pros porco.Té que o Juca fez economia pra nóis, pois antes me sobrava só um salário por mês, e agora eu e Maria temos sobrado dois salário por mês. Melhorô. Os porco não, pois também veio outro homem e disse que a distancia da pocilga com o rio não podia ser 20 metro e tinha que derrubá tudo e fazê a 30 metro. Também colocá umas coisa pra protegê o rio.

Achei que ele tava certo e disse que ia fazê, mas que sozinho ia demorá uns trinta dia, só que mesmo assim ele me multô, e pra pagá vendi os porco e a pocilga, e fiquei só com as vaca. O promotor disse que desta vez por este crime não vai me prendê, e fez eu dá cesta básica pro orfanato. Ô Luis, aí quando vocês sujam o rio também paga multa, né? Agora a água do poço eu posso pagá, mas tô preocupado com a água do rio. Todo o rio aqui deve ser como na tua cidade Luis, protegido, tem mato dos dois lado, as vaca não chegam nele, não tem erosão, a pocilga acabô .... Só que algo tá errado, pois o rio fede e a água é preta e já subi o rio até a divisa da Capital, e ele vem todo sujo e fedendo aí da tua terra. Mas vocês não fazem isto, né Luis? Pois aqui a multa é grande, e dá prisão.

Cortá árvore então, vige! Tinha uma árvore grande aqui no sítio que murchô e ia morrê, então pensei eu de tirá, aproveitá a madeira, pois até podia cair em cima da casa. Como ninguém respondeu aí do escritório que fui, pedi na Capital (não tem aqui não), depois de uns 8 meses, quando a árvore morreu e tava apodrecendo, resolvi derrubar, e veja Luis, no dia seguinte já tinha um fiscal aqui e levei uma multa. Acho que desta vez vão me prendê.

Tô preocupado Luis, pois no radio deu que a nova Lei vai dá multa de 500,00 a 20.000,00 por hectare e por dia da propriedade que tenha algo errado por aqui. Calculei por 500,00 e vi que perco o sitio em uma semana. Então é melhor vendê, e ir morá onde todo mundo cuida da ecologia, pois não tem multa aí. Tem luz, carro, comida, rio limpo. Olha, não quero fazê nada errado, só falei das coisa por ter certeza que a Lei é pra todos nóis.

E vou morar com vc, Luis. Mais fique tranqüilo, vou usá o dinheiro primeiro pra comprá aquela coisa branca, a geladeira, que aqui no sitio eu encho com tudo que produzo na roça, no pomar, com as vaquinha, e aí na cidade diz que é fácil, é só abri e a comida tá lá, prontinha, fresquinha, sem precisá de nóis, os criminoso aqui da roça.

Até Luis. Ah, desculpe Luis, não pude mandar a carta com papel reciclado pois não existe por aqui, mas não conte até eu vendê o sitio.

(Todos os fatos e situações de multas e exigências são baseados em dados verdadeiros. A sátira não visa atenuar responsabilidades, mas alertar o quanto o tratamento ambiental é desigual e discricionário entre o meio rural (setor patronal) meio rural (agricultura familiar) e o meio urbano.)

* É engenheiro florestal, especialista em direito socioambiental e empresário, diretor de Parques Nacionais e Reservas do IBDF/IBAMA 88/89, deputado federal desde 1989, e detentor do 1º Prêmio Nacional de Ecologia.

"Precisamos aprender a ter a força da água, que não é dura como a pedra, mas sempre chega onde quer, através dos caminhos alternativos que encontra" (Roberto Shinyashiki)

sexta-feira, 13 de março de 2009

Agenda 21 Local

Módulo – Metodologia de Desenvolvimento da Agenda 21 Local – Diagnósticos Locais Participativos
Sidnei Alves da Rocha


Eis alguns motivos para refletirmos e mudarmos a nossa postura em relação, principalmente, às questões Sociais e Ambientais

SITUAÇÃO MUNDIAL

6,2 bilhões de pessoas vivem no planeta Terra, atualmente.

1,2 bilhão de pessoas sobrevivem com menos do que o equivalente a $ 1,00 dólar por dia.

A cada 10 segundos, nascem cerca de 45 pessoas no planeta Terra... e 16 morrem.

Mais de 75% da população vive em centros urbanos.

Em 2005, os 10 países mais ricos do planeta eram 50 vezes mais ricos que os 10 países mais pobres.

1 bilhão de pessoas ainda não têm acesso a água potável. 15 anos atrás, eram quase 2 bilhões de pessoas sem acesso a água potável e saneamento.

2/3 dos analfabetos do mundo são mulheres.

80% dos refugiados são mulheres e crianças.

11 milhões de bebês morrem a cada ano, de causas diversas – um número que vem caindo (em 1980, eram 15 milhões).

110 milhões é o número aproximado de crianças fora da escola no mundo. No Brasil, 800 mil crianças entre 7 e 14 anos estão fora da escola.

207 mil é o número aproximado de escolas de ensino básico no Brasil. Destas, mais de 26 mil não têm energia elétrica.

1968 é o ano em que apareceu o primeiro documento relacionando crescimento e questões ambientais (Os limites do crescimento, organizado por Dennis L. Meadows, publicado em Roma).

A nova escola de pensamento ecológico (chamada Clube de Roma) reunia cientistas, economistas e altos funcionários de governos. Sua idéia: o planeta é um sistema finito de recursos, pressionado pelo grande aumento de população e da produção econômica, e é preciso buscar equilíbrio.

1972 Começou o diálogo entre países industrializados e países em desenvolvimento sobre a relação que existe entre crescimento econômico, poluição e bem-estar dos povos, na Primeira Conferência Mundial sobre Meio Ambiente Humano e Desenvolvimento, na Suécia. (Resultado: proposta de adoção de um conjunto de princípios para o manejo ecologicamente racional do meio ambiente.)

1977 A Unesco define educação ambiental, seguindo recomendação da Conferência Mundial de Meio Ambiente: “Educação ambiental é um processo permanente, no qual os indivíduos e a comunidade tomam consciência do seu meio ambiente e adquirem conhecimentos, valores, habilidades, experiências e determinação que os tornam aptos a agir — individual e coletivamente — e resolver problemas ambientais presentes e futuros”.

1980 Primeira vez que se usou a expressão desenvolvimento sustentável.

1981 O governo brasileiro estabeleceu a Política Nacional do Meio Ambiente, na Lei 6.938, na qual se define meio ambiente como sendo o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas.

1987 Publicação pelas Nações Unidas de Nosso futuro comum, também chamado relatório Brundtland, da Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento. Ali se define desenvolvimento sustentável: “aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem às suas necessidades”.

1990 Estatuto da Criança e do Adolescente: uma forma completamente nova de ver a criança e o adolescente. Tinha-se, até então, no Brasil, duas categorias distintas de crianças e adolescentes.

As crianças brasileiras, sem distinção de raça, classe social, ou qualquer outra forma de discriminação, passaram a ser “sujeitos de direitos”, considerados “pessoas em desenvolvimento” a quem se deve assegurar “prioridade absoluta” na formulação de políticas públicas e destinação privilegiada de recursos nos orçamentos do país.

Rio-92 A Terra é uma só nação, e os seres humanos, os seus cidadãos. Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, que reuniu 175 países e mostrou as possibilidades de compreensão e entendimento entre países. Nesse encontro, entre outros temas, se discutiram as mudanças de clima, a perda de biodiversidade e o desmatamento. Veio daí, também, a “Agenda 21”, que é um programa de ação para que todos os países possam adotar o desenvolvimento sustentável e ambientalmente racional.

1997 Protocolo de Quioto — o mais importante instrumento na luta contra as alterações climáticas. É um compromisso assumido pela maior parte dos países desenvolvidos, para, até 2012, reduzir em cerca de 5% suas emissões de gases que provocam efeito estufa. O único Estado que se recusou a firmar a versão revisada do Protocolo de Quioto foram os Estados Unidos.

1997 Pesquisa nacional para saber o que o brasileiro pensa sobre desenvolvimento, meio ambiente e sustentabilidade. Quase 2/3 dos brasileiros (65%) não aceitam a poluição como preço para a garantia de empregos.

47% dos brasileiros concordam com a idéia de que o meio ambiente deve ter prioridade sobre o crescimento econômico.

95% dos brasileiros acham que a educação ambiental deve ser obrigatória nas escolas.

1999 Educação ambiental definida em lei, no Brasil: “Processo por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade”.

191 países aprovaram 8 Metas para o Milênio, no ano 2000, na maior reunião de chefes de nações já realizada.

Por que Agenda 21 Local?

Seria inviável uma agenda 21 global, pois ela atenderia a demandas pontuais, deixando praticamente de lado as grades mazelas que estão nos municípios, nos povoados, nas comunidades e é exatamente nestes lugares que as coisas acontecem. Ela deve ser pensada e assinada como compromisso dos chefes das nações para fomentar a sua realização nos municípios.

Deve-se- buscar, portanto, um pacto local a fim de se possam manter todas as potencialidades existentes, buscando resolver os problemas detectados, tudo isso levantado de forma coletiva e participativa, permitindo com que todos (sociedade e governo) tenham direito a voz e voto. Deve-se “pensar globalmente e agir localmente.”

“Os problemas ambientais globais não podem ser resolvidos por programas globais porque nós não vivemos ‘globalmente’ e ninguém investe recursos para alcançar objetivos globais que não estão diretamente ligados às necessidades locais nem tornam a vida das pessoas mais sustentável” (Patrícia Kranz. Pequeno guia da Agenda 21 local. Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Meio Ambiente, 1995, p. 7.)

Costumamos reclamar dos grandes centros, das grandes potências, enfim, dos grandes poluidores e degradadores do Meio Ambiente e sequer reparamos na latinha de cerveja jogada ao léu, nos recipientes plásticos deixados por aí, no monte de lixo que as pessoas espalham pela sua comunidade, nas beiras de rios e lagos, no meio da mata, materiais que demoram anos e anos para se decomporem. Sequer as pessoas reparam no prejuízo que causam quando fazem seus “foguinhos urbanos” ou até mesmo “foguinhos rurais” que poluem o meio ambiente e obriga as pessoas a respirarem o ar poluído gerado pela sua irresponsabilidade e inconsequência. É impossível mudar o mundo se as pessoas sequer conseguem mudar o pequeno mundo que as cerca, o seu pequeno espaço, o seu bairro, a sua comunidade.

“A degradação do meio ambiente dá-se principalmente na cotidianidade, fruto de hábitos e costumes adquiridos por uma tradição ocidental baseado no lema evangélico “ide e dominai os povos”, não importando se para isso fosse necessário exterminar nações inteiras de indígenas ou escravizar escravos e destruir o meio ambiente; nem que para isso seja necessário endividar criminosamente os países do Sul em benefício dos países do Norte; nem que para isso seja preciso enviar o lixo radiativo do Norte para ser depositado nos países pobres do Sul.” “Moacir Gadotti”

O que é Agenda 21 Local?

“Agenda 21 Local é um instrumento de planejamento integrado de políticas públicas que envolve a sociedade civil e o governo em um processo amplo e participativo de consulta e análise dos problemas ambientais, sociais, culturais, político-institucionais e econômicos da localidade” (Ministério do Meio Ambiente, 2005).

Agenda 21: um novo modelo de civilização

A Civilização precisa buscar um novo modelo de desenvolvimento baseado na sustentabilidade e na permanência e uso racional dos recursos naturais, já que o modelo que temos é insustentável.

“Agenda 21 não é apenas um documento nem um receituário mágico, com fórmulas para resolver todos os problemas ambientais e sociais. É um processo de participação em que a sociedade, os governos, os setores econômicos e sociais sentam-se à mesa para diagnosticar os problemas, entender os conflitos envolvidos e pactuar formas de resolvê-los, de modo a construir o que tem sido Chamado de sustentabilidade ampliada e progressiva”. Gilnei Viana Amorim – Secretaria de políticas para o Desenvolvimento Sustentável.

Passo a passo da construção da Agenda 21 de Terra Nova do Norte

Elaboração, envio e aprovação do Projeto da Agenda 21, em meados de 2006;

Trabalho de mobilização da população local;

Convite a 94 entidades para a composição do Fórum de Políticas de Desenvolvimento Sustentável;

Elaboração dos Eixos Temáticos da Agenda 21 Local definidos da seguinte forma:

I. Agricultura e Pecuária Sustentáveis, considerando os seguintes aspectos: Social / Ambiental / Econômico;

II. Indústrias Sustentáveis que atendam às questões: Sociais, Ambientais e Econômicas, priorizando a matéria-prima local;

III. Desenvolvimento Social com foco na participação e na cidadania;

IV. Infra-estrutura com sistema de acesso integrando o meio urbano e rural, com tecnologia sustentável;

V. Regularização fundiária das áreas urbanas e rurais do município, com foco na função social da propriedade;

VI. Educação, Cultura, Deposto e Lazer com qualidade e investimento;

VII. Utilização consciente e racional dos recursos visando à manutenção e à preservação ambiental.

Realização das reuniões para o Diagnóstico Local Participativo;

Coleta de Informações secundárias;

Elaboração do Plano de Desenvolvimento Sustentável e do Plano Diretor Participativo.

A atuação do Fórum não termina com a realização deste último passo. A partir dele sua atuação deve-se intensificar a fim de fazer cumprir o pacto acordado entre as partes.

“Seja você mesmo a mudança que
você gostaria de ver no mundo.”
Mahatma Gandhi

Oficinas de Diagnóstico Local Participativo

Número de Oficinas: 27

Número de participantes: 570

Oficina com maior número de participantes: Agrovila Xanxerê, com 60 pessoas

Oficina com menor número de participantes: Coplaca, com 08 pessoas

Média de participantes por oficina: 30

Agenda 21 – Utopia?

Quando se inicia um projeto tão profundo e importante como este que nos faz refletir sobre a sociedade que temos e a sociedade que queremos, vem-nos à cabeça a desconfiança, o temor de que não é assim que o setor público funciona. As coisas sempre funcionaram da seguinte forma: vamos às urnas e damos aos nossos representantes poderes absolutos para fazerem o que quiserem.

A Agenda 21 é, portanto, a quebra de um paradigma. Continuamos dando o tal “poder”, mas construímos juntos os pilares da sustentabilidade e ajudamos a indicar o caminho para uma sociedade mais justa, mais humana e participativa.

A utopia, neste sentido, deve ser vista como algo realizável, algo que se almeja e a partir dela, busca-se mecanismos para alcançar os objetivos propostos. Ela é diferente do sonho. Nós a dominamos, temos total controle sobre ela; já o sonho não, é ele quem nos domina, é ele quem nos controla e, assim sendo, o sonho acaba sendo irrealizável, fora do controle de nossas ações.

Utopia

"A utopia está lá no horizonte. Aproximo-me dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar." (Eduardo Galeano).

“O futuro é um despertar que depende da ação humana; é preciso gerar um arsenal ideológico capaz de conduzir as transformações almejadas./.../

As realidades de hoje foram utopias no passado, germes, embriões que fecundaram a história. Nessa concepção, a utopia não e algo irreal, inviável, sonho romântico irrealizável. Ao contrário, é a própria condição de possibilidade do devir, do florescimento do novo, são só anseios, às vezes ainda não amadurecidos, que aguardam a sua vez nos labirintos da história.

Mas, antes de transformar o mundo, é preciso sonhá-lo. Talvez seja isto o destino do conhecimento e do homem após cada naufrágio: o renascimento. Todas as grandes transformações começaram Pelo “acreditar” e lançar recursos para que um determinado ideal se concretize, não desistindo a cada “naufrágio”, pois são sinônimos de renascimentos. Devemos recordar que todas as realidades de hoje, um dia foram utópicas. (Saul Fuks)

"Quem pensa em minutos não tem paciência para plantar árvores”

Rubem Alves

quinta-feira, 12 de março de 2009

Agenda 21 e Carta da Terra

AGENDA 21 E CARTA DA TERRA AGENDA 21 E CARTA DA TERRA
Moacir Gadotti

Para se entender melhor o papel e o significado da Carta da Terra e da Agenda 21, é necessário tomar por base o contexto dos esforços das Nações Unidas, preocupadas em identificar as questões fundamentais relativas à segurança mundial. Quando da criação da ONU, em 1945, entre os temas da discussão, destacavam-se a paz, os direitos humanos e o desenvolvimento eqüitativo.

Durante os primeiros anos de existência da ONU, a questão ambiental ainda não se colocava como uma preocupação comum, da mesma maneira que era dada pouca atenção ao bem-estar ecológico. Não obstante, desde a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente Humano (Estocolmo, julho de 1972), a segurança ecológica passou a ser a quarta preocupação principal das Nações Unidas. Foi a Conferência de Estocolmo que introduziu, pela primeira vez na agenda internacional, a preocupação com o crescimento econômico em detrimento do meio ambiente. Constatou-se que o modelo tradicional de crescimento econômico levaria ao esgotamento completo dos recursos naturais, pondo em risco a vida no planeta.

Neste ano, foi publicado o famoso estudo do Clube de Roma: Limites do crescimento (Meadows 72). O principal resultado desta Conferência foi a “Declaração sobre o Ambiente Humano”, conhecida como a “Declaração de Estocolmo”, sustentando que “tanto as gerações presentes como as futuras tenham reconhecidas, como direito fundamental, a vida num ambiente sadio e não degradado”.

A Conferência de Estocolmo é considerada um divisor de águas no despertar da consciência ecológica. Todavia, é preciso reconhecer que “nem a publicação do Clube de Roma, nem a Conferência de Estocolmo caíram do céu. Elas foram a conseqüência de debates sobre os riscos da degradação do meio ambiente que, de forma esparsa, começaram nos anos 60, e ganharam no final dessa década e no início dos anos 70 uma certa densidade, que possibilitou a primeira grande discussão internacional culminando na Conferência de Estocolmo” (Brüseke, 1998).

Em 1980 o PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) publicou um documento intitulado Uma estratégia mundial para a conservação reafirmando a visão crítica do modelo de desenvolvimento adotado pelos países industrializados. Alguns anos depois, em 1987 a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMAD), conhecida como “Comissão Brundtland”, recomendou a criação de uma nova carta ou declaração universal sobre a proteção ambiental e o desenvolvimento sustentável.

O Relatório Brundtland, elaborado pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, presidida pela Primeira-Ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland e publicado em 1987 com o título Nosso futuro comum, apontou para a incompatibilidade entre o desenvolvimento sustentável e os padrões de produção e de consumo vigentes. Nesse documento define-se o desenvolvimento sustentável como aquele que “satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades” (Brundtland, 1988)

No entanto, o marco definitivo deu-se em 1992 com a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD/UNCED) que foi realizada na cidade do Rio de Janeiro (Brasil), de 3 a 14 de junho de 1992. Essa Conferência foi também chamada de “Cúpula da Terra”, pois representou o maior encontro internacional de cúpula de todos os tempos, com a participação de 175 países e 102 chefes de estado e de governo. Ela ficou conhecida como ECO-92 ou, simplesmente, RIO-92.

Entre os muitos temas tratados na RIO-92, destacam-se: arsenal nuclear, desarmamento, guerra, desertificação, desmatamento, crianças, poluição, chuva ácida, crescimento populacional, povos indígenas, mulheres, fome, drogas, refugiados, concentração da produção e da tecnologia, tortura, desaparecidos, discriminação e racismo.

Além da Conferência oficial patrocinada pela ONU, ocorreu, paralelamente, o Fórum Global 92, promovido pelas entidades da Sociedade Civil. Participaram do Fórum mais de 10 mil representantes de Organizações Não-Governamentais (ONGs) das mais variadas áreas de atuação de todo o mundo. Ele se constituiu num conjunto de eventos, englobando, entre outros, os encontros de mulheres, crianças, jovens e índios. Neste Fórum foi elaborada a primeira minuta da “Carta da Terra”, conclamando a todos os participantes para que adotassem o seu espírito e os seus princípios, em nível individual e social e através das ações concretas das ONGs signatárias.

Cumprindo o seu objetivo de propor um modelo de desenvolvimento comprometido acima de tudo com a preservação da vida no planeta, a UNCED produziu importantes documentos. O maior e mais importante deles foi a Agenda 21. Trata-se de um volume composto de 40 capítulos com mais de 800 páginas, um detalhado programa de ação em matéria de meio ambiente e desenvolvimento. Nele constam tratados em muitas áreas que afetam a relação entre o meio ambiente e a economia, como: atmosfera, energia, desertos, oceanos, água doce, tecnologia, comércio internacional, pobreza e população. O documento está dividido em quatro seções:

• dimensões sociais e econômicas (trata das políticas internacionais que podem ajudar na viabilização do desenvolvimento sustentável, das estratégias de combate à pobreza e à miséria e da necessidade de introduzir mudanças nos padrões de produção e de consumo);

• conservação e gestão dos recursos para o desenvolvimento (trata do manejo dos recursos naturais e dos resíduos e substâncias tóxicas); c) fortalecimento do papel dos principais grupos sociais (indica as ações necessárias para promover a participação, principalmente das ONGs);

• meios de implementação (tratando dos mecanismos financeiros e dos instrumentos jurídicos para a implementação de projetos e programas com vistas ao desenvolvimento sustentável).

As 175 nações presentes aprovaram e assinaram a Agenda 21, comprometendo-se a respeitar os seus termos. Ela representa a base para a despoluição do planeta e a construção de um modelo de desenvolvimento sustentável, isto é, que não agrida o ambiente e não esgote os recursos disponíveis. A Agenda 21 não é uma agenda ambiental. É uma agenda para o desenvolvimento sustentável, cujo objetivo final é a promoção de um novo modelo de desenvolvimento.

A Agenda 21 não é um documento normativo, pois não obriga as Nações signatárias, mas é um documento ético que se reduz a um compromisso por parte deles. Não é um documento técnico, mas político. Mais da metade dos países signatários já elaboraram planos estratégicos de implantação da Agenda 21, em muitos casos pressionados pela Sociedade Civil. Ela tem se constituído muito mais numa agenda da sociedade do que dos Estados. As Conferências Mundiais têm proporcionado grande mobilização, sobretudo da mídia. A participação ativa da sociedade civil nessas Conferências Mundiais, principalmente através das ONGs, tem contribuído para pressionar as Nações Unidas e os Estados a assumirem as agendas da sociedade.

A Agenda 21 transformou-se em instrumento de referência e mobilização para a mudança do modelo de desenvolvimento em direção de sociedades cada vez mais sustentáveis. Ela tem por objetivos (cap. 4, itens 4 e 7):

1º) promover padrões de consumo e produção que reduzam as pressões ambientais e atendam as necessidades básicas da humanidade;

2º) desenvolver uma melhor compreensão do papel do consumo e da forma de se implementar padrões de consumo mais sustentáveis.

Esses objetivos visam a alcançar o desenvolvimento sustentável como aquele que satisfaz as necessidades do presente com eqüidade, sem comprometer a capacidade das gerações futuras para satisfazer as suas (equilíbrio dinâmico). Precisamos “devolver às futuras gerações o planeta Terra melhor do que o recebemos. Se o conseguirmos, isso nos dará autoridade para desfrutar responsavelmente suas belezas”, foi a inscrição que encontrei num saco de papel reciclado num supermercado da Costa Rica.

A essência fundamental da Agenda 21 é que esse documento foi negociado previamente e pactuado entre as nações, mudando a forma como o tema era tratado até então. Transformou-se num documento estratégico abrangente – em nível planetário, nacional e local – com o fim de promover um novo padrão de desenvolvimento que pode conciliar a proteção ambiental com a justiça social e a eficiência econômica. Como afirmou Gustavo Krause, então Ministro do Meio Ambiente, “tendo em vista esses conceitos, a problemática do meio ambiente altera uma antiga visão de geopolítica. Nenhuma nação é periférica; impõe-se a necessidade de colaboração entre o Norte e o Sul porque existe uma complementaridade dos problemas e caminhos para as soluções entre países do primeiro e do terceiro mundo. As ameaças da atual crise econômica e ambiental estão plantadas no modelo de desenvolvimento ainda hoje aceito, caracterizado por uma economia de opulência e desperdício no Norte, e de pobreza, desigualdade e necessidades prementes de sobrevivência a curto prazo no Sul” (Brasil, 1998).

As maiores críticas à Agenda 21 relacionam-se com o seu caráter genérico e às dificuldades de implementação prática. Como diz o jornalista Washington Novais (2000), grande especialista em meio ambiente, a Agenda 21 não explicitou “os conflitos a serem pactuados entre governos, empresariado e a sociedade(...) o resultado, quase invariavelmente, tem sido a inação. Tudo continua como dantes, apesar da boas intenções(...) A sustentabilidade será produto da sociedade toda ou não acontecerá. Ela terá de começar decidindo como o país se situará no processo da globalização, na chamada era do conhecimento. Que ciência e tecnologia pretende viabilizar como condição para essa inserção. Que estratégias de governabilidade adotará”.

A Rio+5, um novo Fórum de organizações governamentais e não-governamentais, reunido no Rio de Janeiro em março 1997, avaliou os resultados práticos obtidos com os tratados assinados em 1992. Muitas das organizações e redes da Sociedade Civil e econômica participaram deste evento com o objetivo de revisar os progressos específicos em direção ao desenvolvimento sustentável e de identificar práticas, valores, metodologias e novas oportunidades para implementá-lo.

Os participantes concluíram que os resultados obtidos com a Agenda 21, cinco anos depois (1992), eram ainda muito pequenos e que seria necessário passar para ações mais práticas, para além das grandes proclamações de princípios. Nessa ocasião foi aprovada uma nova redação da “Carta da Terra”. Na avaliação de Leonardo Boff, (1993) “se a RIO-92 não trouxe grandes encaminhamentos políticos objetivos, serviu para despertar uma cultura ecológica, uma preocupação universal com o destino comum do planeta... Temos uma nova percepção da Terra como imensa comunidade da qual somos parte e parcela, membros responsáveis para que todos possam viver em harmonia”.

Num outro texto Leonardo Boff não é tão otimista e não poupa críticas às Nações Unidas que possuem tantos projetos que tratam de problemas globais, mas é tão ineficiente. A ONU é “regida pelo velho paradigma das nações imperialistas que vêem os estados-nações e os blocos de poder mas não descobriram ainda a Terra como objeto de cuidado, de uma política coletiva de salvação terrenal” (Boff, 1999).

Na Rio+5 a participação da sociedade civil não foi tão intensa quanto em 1992. Contudo, ficou patente a necessidade de ampliar a articulação Estado e Sociedade Civil, principalmente no nível da Agenda 21 Local, o nível das municipalidades. A Agenda 21 Local foi definida como “um processo participativo, multissetorial, para alcançar os objetivos da Agenda 21 no nível local, através da preparação e implementação de um plano de ação estratégica, de longo prazo, dirigido às questões prioritárias para o desenvolvimento sustentável local”. (Kranz, 1995).

O Ministério do Meio Ambiente mostrou um conjunto de 183 experiências locais, evidenciando o crescente despertar da consciência ecológica no Brasil.

“Os problemas ambientais globais não podem ser resolvidos por programas globais porque nós não vivemos ‘globalmente’ e ninguém investe recursos para alcançar objetivos globais que não estão diretamente ligados às necessidades locais nem tornam a vida das pessoas mais sustentável” (Kranz, 1995).

A degradação do meio ambiente dá-se principalmente na cotidianidade, fruto de hábitos e costumes adquiridos por uma tradição ocidental baseado no lema evangélico “ide e dominai os povos”, não importando se para isso fosse necessário exterminar nações inteiras de indígenas ou escravizar escravos e destruir o meio ambiente; nem que para isso seja necessário endividar criminosamente os países do Sul em benefício dos países do Norte; nem que para isso seja preciso enviar o lixo radiativo do Norte para ser depositado nos países pobres do Sul.

As organizações não-governamentais são cada vez mais reconhecidas como vitais para o projeto, execução e obtenção de bons resultados do desenvolvimento sustentável. A promoção de um desenvolvimento durável necessitará de novas ferramentas para a análise e a resolução de problemas para os quais as ONGs vêm acumulando experiência e reflexão. Elas se multiplicaram em todo o mundo e mostraram sua força política e econômica na RIO-92 e continuam demonstrando grande vitalidade como a realização, em Porto Alegre de dois encontros do Fórum Social Mundial (2001 e 2002), que reuniu mais de 50 mil pessoas. As ONGs foram consideradas como "os olhos da população" na Conferência da ONU e, depois, como interlocutoras obrigatórias entre os governos dos países pobres e as instituições financiadoras dos países ricos. Na Conferência do Rio de Janeiro o alerta sobre os gastos da competitividade sobre o sistema ecológico “não veio do lado governamental, e quando os governos participaram, não conseguiram sequer respeitar os programas mínimos mais urgentes, como a possibilidade de fazer aceder água potável a milhões de pessoas que hoje não têm acesso” (Petrella, 1995).

O encontro entre a Agenda 21 e a Carta da Terra deu-se de forma natural pois é evidente que o novo modelo de desenvolvimento precisa de uma nova sustentação ética. Mas demorou para isso acontecer e ainda estamos longa de uma verdadeira integração.

Baseada em princípios e valores fundamentais, que deverão nortear pessoas e Estados no que se refere ao desenvolvimento sustentável, a Carta da Terra servirá como um código ético planetário. Uma vez aprovada pelas Nações Unidas, a Carta da Terra será o equivalente à Declaração Universal dos Direitos Humanos no que concerne à sustentabilidade, à eqüidade e à justiça.

O projeto da Carta da Terra inspira-se em uma variedade de fontes, incluindo a ecologia e outras ciências contemporâneas, as tradições religiosas e as filosóficas do mundo, a literatura sobre ética global, o meio ambiente e o desenvolvimento, a experiência prática dos povos que vivem de maneira sustentada, além das declarações e dos tratados intergovernamentais e não-governamentais relevantes. Moema Viezzer, presidente de uma das entidades não-gernamentais mais atuantes na área de educação ambiental, a Rede Mulher de Educação e também integrante da rede global Aliança por um Mundo Solidário e Responsável afirma: “a elaboração da Carta da Terra vem sendo divulgada como um evento planetário tridimensional: um texto em preparação, um processo de aprendizagem, um movimento ético. Neste sentido, mais do que um produto elaborado para ser entregue às Nações Unidas, pretende-se que o mesmo represente um processo de aprendizagem nos níveis local, nacional, regional, internacional, conectado com uma visão de futuro representativa da busca de muitas mulheres e homens que a nível pessoal e institucional estão comprometidos em tecer novas relações entre os seres humanos e da Humanidade com o Planeta Terra” (IPF, 1999).

A Carta da Terra deverá constituir-se em um documento vivo, apropriado pela sociedade planetária, e revisto periodicamente em amplas consultas globais (Ferrero & Holland, 2002).

A Carta da Terra, concebida como um código de ética global por um desenvolvimento sustentável e apontando para uma mudança em nossas atitudes, valores e estilos de vida, envolve três princípios interdependentes: os valores que regem a vida dos indivíduos; a comunidade de interesses entre Estados; e a definição dos princípios de um desenvolvimento sustentável. Um ética global para uma sociedade global: esse é o objetivo final da Carta da Terra. Embora possamos distinguir sociedade global de comunidade global, nos documentos produzidos para a minuta da Carta da Terra, eles são usados indistintamente. Todavia, costuma-se falar mais em “comunidade” quando se quer realçar o mutualismo, os laços de reciprocidade, como em comunidade religiosa, local, étnica... e mais em “sociedade” quando se quer realçar a eqüivalência e a organização, como em sociedade civil planetária. A comunidade mundial seria uma espécie de princípio, de fundamento da sociedade planetária. A Terra pode ser vista como uma única comunidade organizada em uma sociedade global, com “espírito comunitário”. Uma sociedade global supõe uma mudança de atitudes e de valores de cada indivíduo.

A Carta da Terra constituiu-se numa declaração de princípios globais para orientar a questão do meio ambiente e do desenvolvimento. Ela inclui os princípios básicos que deverão reger o comportamento da economia e do meio ambiente, por parte dos povos e nações, para assegurar “nosso futuro comum”. Ela pretende ter a mesma importância que teve a “Declaração dos Direitos Humanos”, assinada pelas Nações Unidas em 1948. Contém 27 princípios com o objetivo de estabelecer uma nova e justa parceria global através da criação de novos níveis de cooperação entre os Estados, setores importantes da sociedade e o povo. Para conseguir o desenvolvimento sustentável e melhor qualidade de vida para todos os povos, a Carta da Terra propõe que os Estados reduzam e eliminem padrões insustentáveis de produção e consumo e promovam políticas demográficas adequadas.

A Carta da Terra deve ser entendida sobretudo como um movimento ético global para se chegar a um código de ética planetário, sustentando um núcleo de princípios e valores que fazem frente à injustiça social e à falta de eqüidade reinante no planeta. Cinco pilares sustentam esse núcleo:

• direitos humanos;

• democracia e participação;

• eqüidade;

• proteção da minoria;

• resolução pacífica dos conflitos.

Esses pilares são cimentados por uma visão de mundo solidária e respeitosa da diferença (consciência planetária).

O intercâmbio planetário que ocorre hoje em função da expansão das oportunidades de acesso à comunicação, notadamente através da Internet, deverá facilitar o diálogo inter e transcultural e o desenvolvimento desta nova ética planetária. A campanha da Carta da Terra agrega um novo valor e oferece um novo impulso a esse movimento pela ética na política, na economia, na educação etc. Ela se tornará realmente forte e, talvez, decisiva, no momento em que representar um projeto de futuro um contraprojeto global e local ao projeto político-pedagógico, social e econômico neoliberal, que não só é intrinsecamente insustentável, como também essencialmente injusto e desumano.

O “discurso ecológico” pode ter sido, muitas vezes, manipulado pelo capital, mas a luta ecológica não. Ela não é elitista. Como diz Antônio Lago (1994), “os mais pobres são os que recebem com maior impacto os efeitos da degradação ambiental, com o agravante de não terem acesso a condições favoráveis de saneamento, alimentação etc., e não poderem se utilizar dos artifícios de que os mais ricos normalmente se valem para escapar do espaço urbano poluído (casas de campo, viagens, etc.)”.

Segundo Stephen Jay Gould (1993), o movimento conservacionista - que precedeu ao movimento ecológico - surgiu como uma “tentativa elitista dos líderes sociais ricos no sentido de preservar áreas naturais como domínios para o lazer e a contemplação dos privilegiados”. O que é necessário é se livrar desta visão do ambientalismo como algo “oposto às necessidades humanas imediatas, especialmente as necessidades dos pobres”. O ser mais ameaçado pela destruição do meio ambiente é o ser humano e dentre os seres humanos os mais pobres são as suas principais vítimas.

O movimento ecológico, como todo movimento social e político, não é um movimento neutro. Nele também, como movimento complexo e pluralista, se manifestam interesses os mais diversos, inclusive das grandes corporações (Gonçalves, 1999). O que importa não é combater todas as formas de sua manifestação, mas entrar no seu campo e construir, a partir do seu interior, uma perspectiva popular e democrática de defesa da ecologia. Ele pode ser uma espaço importante de luta em favor dos seres humanos mais empobrecidos pelo modelo econômico capitalista globalizado. Nessa luta por um planeta saudável, tanto a Carta da Terra quando a Agenda 21, como resultado da conjunção de tantos esforços, se constituem em instrumentos insubstituíveis.

Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis

TRATADO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA SOCIEDADES SUSTENTÁVEIS E RESPONSABILIDADE GLOBAL

Este Tratado, assim como a educação, é um processo dinâmico em permanente construção. Deve portanto propiciar a reflexão, o debate e a sua própria modificação. Nós signatários, pessoas de todas as partes do mundo, comprometidos com a proteção da vida na Terra, reconhecemos o papel central da educação na formação de valores e na ação social. Nos comprometemos com o processo educativo transformador através do envolvimento pessoal, de nossas comunidades e nações para criar sociedades sustentáveis e eqüitativas. Assim, tentamos trazer novas esperanças e vida para nosso pequeno, tumultuado, mas ainda assim belo planeta.

I - Introdução

Consideramos que a educação ambiental para uma sustentabilidade eqüitativa é um processo de aprendizagem permanente, baseado no respeito a todas as formas de vida. Tal educação afirma valores e ações que contribuem para a transformação humana e social e para a preservação ecológica. Ela estimula a formação de sociedades socialmente justas e ecologicamente equilibradas, que conservam entre si relação de interdependência e diversidade. Isto requer responsabilidade individual e coletiva a nível local, nacional e planetário. Consideramos que a preparação para as mudanças necessárias depende da compreensão coletiva da natureza sistêmica das crises que ameaçam o futuro do planeta. As causas primárias de problemas como o aumento da pobreza, da degradação humana e ambiental e da violência podem ser identificadas no modelo de civilização dominante, que se baseia em superprodução e superconsumo para uns e subconsumo e falta de condições para produzir por parte da grande maioria. Consideramos que são inerentes à crise a erosão dos valores básicos e a alienação e a não participação da quase totalidade dos indivíduos na construção de seu futuro. É fundamental que as comunidade planejem e implementem[ suas próprias alternativas às políticas vigentes. dentre estas alternativas está a necessidade de abolição dos programas de desenvolvimento, ajustes e reformas econômicas que mantêm o atual modelo de crescimento com seus terríveis efeitos sobre o ambiente e a diversidade de espécies, incluindo a humana. Consideramos que a educação ambiental deve gerar com urgência mudanças na qualidade de vida e maior consciência de conduta pessoal, assim como harmonia entre os seres humanas e destes com outras formas de vida.

II - Princípios da Educação para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global

1. A educação é um direito de todos, somos todos aprendizes e educadores.

2. A educação ambiental deve ter como base o pensamento crítico e inovador, em qualquer tempo ou lugar, em seus modos formal, não formal e informal, promovendo a transformação e a construção da sociedade.

3. A educação ambiental é individual e coletiva. Tem o propósito de formar cidadãos com consciência local e planetária, que respeitem a autodeterminação dos povos e a soberania das nações.

4. A educação ambiental não é neutra, mas ideológica. É um ato político, baseado em valores para a transformação social.

5. A educação ambiental deve envolver uma perspectiva holística, enfocando a relação entre o ser humano, a natureza e o universo de forma interdisciplinar.

6. A educação ambiental deve estimular a solidariedade, a igualdade e o respeito aos direitos humanos, valendo-se de estratégias democráticas e interação entre as culturas.

7 A educação ambiental deve tratar as questões globais críticas, suas causas e inter-relações em uma perspectiva sistêmica, em seus contexto social e histórico. Aspectos primordiais relacionados ao desenvolvimento e ao meio ambiente tais como população, saúde, democracia, fome, degradação da flora e fauna devem ser abordados dessa maneira.

8. A educação ambiental deve facilitar a cooperação mútua e eqüitativa nos processos de decisão, em todos os níveis e etapas.

9. A educação ambiental deve recuperar, reconhecer, respeitar, refletir e utilizar a história indígena e culturas locais, assim como promover a diversidade cultural, lingüística e ecológica. Isto implica uma revisão da história dos povos nativos para modificar os enfoques etnocêntricos, além de estimular a educação bilingüe.

10. A educação ambiental deve estimular e potencializar o poder das diversas populações, promover oportunidades para as mudanças democráticas de base que estimulem os setores populares da sociedade. Isto implica que as comunidades devem retomar a condução de seus próprios destinos.

11. A educação ambiental valoriza as diferentes formas de conhecimento. Este é diversificado, acumulado e produzido socialmente, não devendo ser patenteado ou monopolizado.

12. A educação ambiental deve ser planejada para capacitar as pessoas a trabalharem conflitos de maneira justa e humana. 13. A educação ambiental deve promover a cooperação e o diálogo entre indivíduos e instituições, com a finalidade de criar novos modos de vida, baseados em atender às necessidades básicas de todos, sem distinções étnicas, físicas, de gênero, idade, religião, classe ou mentais.

14. A educação ambiental requer a democratização dos meios de comunicação de massa e seu comprometimento com os interesses de todos os setores da sociedade. A comunicação é um direito inalienável e os meios de comunicação de massa devem ser transformados em um canal privilegiado de educação, não somente disseminando informações em bases igualitárias, mas também promovendo intercâmbio de experiências, métodos e valores.

15. A educação ambiental deve integrar conhecimentos, aptidões, valores, atitudes e ações. Deve converter cada oportunidade em experiências educativas de sociedades sustentáveis.

16. A educação ambiental deve ajudar a desenvolver uma consciência ética sobre todas as formas de vida com as quais compartilhamos este planeta, respeitar seus ciclos vitais e impor limites à exploração dessas formas de vida pelos seres humanos.

III - Plano de Ação

As organizações que assinam este tratado se propõem a implementar as seguintes diretrizes:

1. Transformar as declarações deste Tratado e dos demais produzidos pela Conferencia da Sociedade Civil durante o processo da Rio 92 em documentos a serem utilizados na rede formal de ensino e em programas educativos dos movimentos sociais e suas organizações.

2. Trabalhar a dimensão da educação ambiental para sociedades sustentáveis em conjunto com os grupos que elaboraram os demais tratados aprovados durante a Rio 92.

3. Realizar estudos comparativos entre os tratados da sociedade civil e os produzidos pela Conferência das nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento - UNCED; utilizar as conclusões em ações educativas.

4. Trabalhar os princípios deste tratado a partir das realidades locais, estabelecendo as devidas conexões com a realidade planetária, objetivando a conscientização para a transformação.

5. Incentivar a produção de conhecimento, políticos, metodologias e práticas de Educação Ambiental em todos os espaços de educação formal, informal e não formal, para todas as faixas etárias.

6. Promover e apoiar a capacitação de recursos humanos para preservar, conservar e gerenciar o ambiente, como parte do exercício da cidadania local e planetária.

7. Estimular posturas individuais e coletivas, bem como políticas institucionais que revisem permanentemente a coerência entre o que se diz e o que se faz, os valores de nossas culturas, tradições e história.

8. Fazer circular informações sobre o saber e a memória populares; e sobre iniciativas e tecnologias apropriadas ao uso dos recursos naturais.

9. Promover a coresponsabilidade dos gêneros feminino e masculino sobre a produção, reprodução e manutenção da vida. 10.Estimular a apoiar a criação e o fortalecimento de associações de produtores e de consumidores e redes de comercialização que sejam ecologicamente responsáveis.

11. Sensibilizar as populações para que constituam Conselhos populares de ação Ecológica e Gestão do Ambiente visando investigar, informar, debater e decidir sobre problemas e políticas ambientais.

12. Criar condições educativas, jurídicas, organizacionais e políticas para exigir dos governos que destinem parte significativa de seu orçamento à educação e meio ambiente.

13. Promover relações de parceria e cooperação entre as Ongs e movimentos sociais e as agencias da ONU (UNESCO, PNUMA, FAO entre outras), a nível nacional, regional e internacional, a fim de estabelecerem em conjunto as prioridades de ação para educação, meio ambiente e desenvolvimento.

14. Promover a criação e o fortalecimento de redes nacionais, regionais e mundiais para a realização de ações conjuntas entre organizações do Norte, Sul, Leste e Oeste com perspectiva planetária (exemplos: dívida externa, direitos humanos, paz, aquecimento global, população, produtos contaminados).

15. Garantir que os meios de comunicação se transformem em instrumentos educacionais para a preservação e conservação de recursos naturais, apresentando a pluralidade de versões com fidedignidade e contextualizando as informações. Estimular transmissões de programas gerados pelas comunidades locais.

16. Promover a compreensão das causas dos hábitos consumistas e agir para a transformação dos sistemas que os sustentam, assim como para com a transformação de nossas próprias práticas.

17. Buscar alternativas de produção autogestionária e apropriadas econômica e ecologicamente, que contribuam para uma melhoria da qualidade de vida.

18. Atuar para erradicar o racismo, o sexismo e outros preconceitos; e contribuir para um processo de reconhecimento da diversidade cultura dos direitos territoriais e da autodeterminação dos povos.

19. Mobilizar instituições formais e não formais de educação superior para o apoio ao ensino, pesquisa e extensão em educação ambiental e a criação, em cada universidade, de centros interdisciplinares para o meio ambiente.

20. Fortalecer as organizações e movimentos sociais como espaços privilegiados para o exercício da cidadania e melhoria da qualidade de vida e do ambiente.

21. Assegurar que os grupos de ecologistas popularizem suas atividades e que as comunidades incorporem em seu cotidiano a questão ecológica.

22. Estabelecer critérios para a aprovação de projetos de educação para sociedades sustentáveis, discutindo prioridades sociais junto às agencias financiadoras.

IV - Sistema de Coordenação, Monitoramento e Avaliação

Todos os que assinam este Tratado concordam em:

1. Difundir e promover em todos os países o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e responsabilidade Global através de campanhas individuais e coletivas, promovidas por Ongs, movimentos sociais e outros.

2. Estimular e criar organizações, grupos de Ongs e Movimentos Sociais para implantar, implementar, acompanhar e avaliar os elementos deste Tratado.

3. Produzir materiais de divulgação deste tratado e de seus desdobramentos em ações educativas, sob a forma de textos, cartilhas, cursos, pesquisas, eventos culturais, programas na mídia, ferias de criatividade popular, correio eletrônico e outros.

4. Estabelecer um grupo de coordenação internacional para dar continuidade às propostas deste Tratado.

5. Estimular, criar e desenvolver redes de educadores ambientais.

6. Garantir a realização, nos próximos três anos, do 1º Encontro Planetário de educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis.

7. Coordenar ações de apoio aos movimentos sociais em defesa da melhoria da qualidade de vida, exercendo assim uma efetiva solidariedade internacional.

8. Estimular articulações de ONGs e movimentos sociais para rever estratégias de seus programas relativos ao meio ambiente e educação.

V - Grupos a serem envolvidos

Este Tratado é dirigido para:

1. Organizações dos movimentos sociais-ecologistas, mulheres, jovens, grupos étnicos, artistas, agricultores, sindicalistas, associações de bairro e outros.

2. Ongs comprometidas com os movimentos sociais de caráter popular.

3. Profissionais de educação interessados em implantar e implementar programas voltados à questão ambiental tanto nas redes formais de ensino , como em outros espaços educacionais.

4. Responsáveis pelos meios de comunicação capazes de aceitar o desafio de um trabalho transparente e democrático, iniciando uma nova política de comunicação de massas.

5. Cientistas e instituições científicas com postura ética e sensíveis ao trabalho conjunto com as organizações dos movimentos sociais.

6. Grupos religiosos interessados em atuar junto às organizações dos movimentos sociais.

7. Governos locais e nacionais capazes de atuar em sintonia/parceria com as propostas deste Tratado.

8. Empresários (as) comprometidos (as) em atuar dentro de uma lógica de recuperação e conservação do meio ambiente e de melhoria da qualidade de vida, condizentes com os princípios e propostas deste Tratado.

9. Comunidades alternativas que experimentam novos estilos de vida condizentes com os princípios e propostas deste Tratado.

VI - Recursos

Todas as organizações que assinam o presente Tratado se comprometem:

1. Reservar uma parte significativa de seus recursos para o desenvolvimento de programas educativos relacionados com a melhoria do ambiente e com a qualidade de vida.

2. Reivindicar dos governos que destinem um percentual significativo do Produto Nacional Bruto para a implantação de programas de Educação Ambiental em todos os setores da administração pública, com a participação direta de Ongs e movimentos sociais.

3. Propor políticas econômicas que estimulem empresas a desenvolverem aplicarem tecnologias apropriadas e a criarem programas de educação ambiental parte de treinamentos de pessoal e para comunidade em geral.

4. Incentivar as agencias financiadoras a alocarem recursos significativos a projetos dedicados à educação ambiental: além de garantir sua presença em outros projetos a serem aprovados, sempre que possível.

5. Contribuir para a formação de um sistema bancário planetário das Ongs e movimentos sociais, cooperativo e descentralizado que se proponha a destinar uma parte de seus recursos para programas de educação e seja ao mesmo tempo um exercício educativo de utilização de recursos financeiros.


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MANOEL DE BARROS



Todas as coisas cujos valores podem ser

disputados no cuspe à distâncias

servem para poesia.





Tarsilca: Sol